Rodin, apesar de tudo…

Há alguns dias, na apresentação para a imprensa, visitei, emocionada, uma das exposições mais lindas, fortes e importantes dos últimos anos. Ela confronta um dos maiores escultores da humanidade a formidáveis artistas modernos e contemporâneos (muitos dos quais mostrados em várias bienais de São Paulo), sobre os quais já escrevi e inclusive expus. A mostra “Rodin – a exposição do centenário”, que se inaugura para o público na quarta-feira, dia 22 (até 31 de Julho), no Grand Palais em Paris, mereceria espaço para uma verdadeira análise, feita por crítico de arte, não uma reportagem factual ou um post de blog.
"O Pensador", Auguste Rodin (1916)
“O Pensador” de Auguste Rodin (1916)

Também o Orsay fez uma seleção impressionante com obras da maior qualidade. Há muito tempo que não se vê nada igual neste museu. Ela explora a religiosidade e a abstração na pintura, o que suscita analogias inéditas entre telas que não temos o hábito de ver juntas, nas mesmas paredes. Com obras de dezenas de artistas menos conhecidos e outros célebres como Monet, Gauguin, Van Gogh, Munch, Kandinsky e até mesmo a americana Georgia O’Keeffe (que ganhou uma retrospectiva na Tate em 2016) -, a exposição, inaugurada há alguns dias, chama-se “Além das estrelas – a paisagem mística”, e vai até 25 de Junho.

Infelizmente, ficarei devendo estas duas colaborações críticas aos meus leitores. A primeira dará lugar a uma reportagem certamente bem feita, mas por um jornalista não especializado; a segunda eu nem ousaria propor à grande imprensa. Teria dado o meu tempo e feito tudo que me fosse possível para tentar transmitir as experiências extraordinárias de viver, estética e históricamente, este aniversário dos 100 anos de Rodin e o admirável resultado da curadoria no Orsay. Porém, o espaço para a “reflexão especializada” nos jornais – que, de fato não é rentável – torna-se cada vez mais rarefeito.

Não que isto seja um consolo, o mesmo ocorre igualmente em outros países – não só no Brasil. Vivemos a época da informação, do copiar-colar dos press releases e da “rentabilização”. Os próprios editores, críticos e jornalistas do Le Monde – conheço alguns deles -, estão insatisfeitos com estas mudanças que interferem no conteúdo, sobretudo cultural, do jornal. Os especialistas vêm perdendo para os “generalistas”, mais econômicos sem dúvida. Não é justo nem alentador para profissionais e leitores interessados em qualidade. Mas assim é. E, deste modo, publico aqui apenas uma pequena galeria de imagens da exposição do centenário de Rodin. Começando pelo começo… para não perder o humor!

 

Rodin_Exposição do Centenário
“O Pensador” de Auguste Rodin (1916) e “Coisa Popular Zero” de Georg Baselitz (2009)

Até a próxima, que agora é hoje e… sinto muito!

 

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A lição de Chopin

“Bach é um astrônomo que descobre a mais maravilhosa das estrelas, Beethoven mede-se com o universo. Eu procuro apenas exprimir a alma e o coração do Homem.” Frédéric Chopin, um do maiores compositores do século 19, veio à luz no dia 1° de março de 1810 (talvez no dia 22 de fevereiro), há exatamente 207 anos, em Żelazowa Wola, perto de Varsóvia.
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Chopin, daguerreótipo de Louis-Auguste Bisson (1847 ou 1849). Cópia da única fotografia conhecida do músico, sendo que o original foi perdido. (Biblioteca polonesa de Paris)

Criança prodígio, Chopin não demorou a criar as suas próprias obras e apresentá-las em público. Amigo do pintor Eugène Delacroix e amante da escritora George Sand (de 1837 a 1847), é considerado como um virtuose romântico. A tal ponto que Franz Liszt, um ano mais jovem do que ele, afirmou: “Chopin é, por excelência, o pianista do sentimento: ele sonha, chora, canta com doçura, suavidade e melancolia”. O pianista polonês-francês morreu, tuberculoso, aos 39 anos.

A simplicidade é o triunfo absoluto

Até a próxima, que agora é hoje e irei ao cemitério Père Lachaise colocar uma flor sobre o túmulo deste meu vizinho de bairro, para quem “a simplicidade é o triunfo absoluto”. “Depois de ter tocado uma enorme quantidade de notas, sempre mais notas”, dizia ele, “foi a simplicidade que emergiu como recompensa, vindo coroar a arte.” Bonito!

 

 

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Túmulo de Chopin no cemitério Père Lachaise, em Paris.

 

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