O inimigo do Brasil

Tanto quanto o seu pau-mandado Kassio com “K” no STF, o presidente brasileiro é contra a decisão de que Estados e municípios podem decidir sobre a obrigatoriedade da imunização e impor sanções para quem se recusar a ser vacinado.

Ser contra uma obrigatoriedade que visa o bem de todos, não é liberalismo. É totalitarismo populista.

Imagem: Charles de Gaulle se impõe a (e salva) um país à beira da guerra civil. 1958 © AFP

O anúncio do plano de vacinação foi puro teatro. Todo mundo sabe que o presidente nunca quis preparar o País para campanha de vacinação, que ele prejudica todas as alternativas, manteve uma postura negacionista, não tem a menor empatia pela dor do outro e sempre minimizou a pandemia.

Desacatar instituições e ser contra o interesse e a saúde de cada brasileiro, influenciando-o ou deixando-o à sua própria sorte e decisão, não é ser liberal. É ser um inimigo do País.

A história mostra que face aos impasses e à paralisia política foi preciso SAIR PELO ALTO, por meio de figuras providenciais como Alexandre o Grande, Joana d’Arc, Charles de Gaulle (apelo de 18 de junho), George Washington, Abraham Lincoln, Georges Clemenceau, Franklin D. Roosevelt, Winston Churchill, Gandhi, John F. Kennedy, Emmanuel Macron (que neutralizou o combate estéril entre a direita e a esquerda) e tantos outros.

Até a próxima, que agora é hoje e impasses não devem persistir. Inimigos do povo devem ser postos para fora. Sempre. Constitucionalmente ou não.

A praga e seus aproveitadores

A diferença entre as pragas anteriores, deste e de outros séculos, e a calamidade com o novo Coronavírus, é que as precedentes não foram instrumentalizadas e não beneficiaram ninguém. No plano geopolítico, certamente nunca houve na história igual cinismo e sucesso nos negócios de um país onde tudo começou.

Imagem: Detalhe do “Morcego”, personagem do “Romance dos Três Reinos”, obra chinesa escrita no século XIV. Esta ilustração pertence à coleção do Museu do Quai Branly, em Paris.

Não que a China tivesse previsto ou causado a pandemia, no entanto os seus dirigentes compreenderam perfeitamente todos os benefícios que ela obtém e ainda obterá por ter mergulhado tantos países nessa situação.

É preciso lembrar que o vírus vem de uma grande e crescente potência autoritária, onde as virtudes da democracia, para não falar da conviviabilidade, estão longe de terem sido assimiladas. Ali, depois que a tempestade passar, o slogan “primeiro os negócios” certamente será “negócios, como de costume”.

Ganância e falta de gratidão

Bastou assistir a uma reportagem mostrando o seu comércio de máscaras e respiradores, divulgada em horário nobre por France 2, o canal de televisão de maior audiência deste país, para testemunhar a ganância e a falta de gratidão chinesa. Depois de a França ter oferecido grande quantidade de equipamentos de proteção e respiradores de forma gratuita, e de ter enviado também dezenas de médicos, cientistas e enfermeiros para ajudar durante a calamidade de Wuhan, a retribuição da China a este gesto foi ignóbil.

Este país depende tragicamente da China, inclusive para a segurança sanitária. Pequim arbitra, envia seus aviões carregados de máscaras aos que pagam mais… ou aos países mais próximos do seu regime. A reportagem mostrou, enquanto a epidemia atingia os franceses em cheio, os exportadores oficiais chineses como pequenos camelôs de esquina, tentando vender tudo isso ao sistema de saúde francês, de maneira cínica, pelo preço mais alto, tão alto que este país precisou produzir com urgência os seus próprios equipamentos, e pior: os hospitais passaram por tal penúria, que a França foi obrigada a enviar os seus doentes para outros países da Europa.

Esta reportagem repugnante mostrou também os exportadores negociando respiradores de uma maneira abjeta, como se fossem apetrechos de cozinha e não equipamentos para salvar vidas. Quando os compradores do ministério da Saúde pediam um tempo para calcular e refletir, os chineses respondiam: “É bom aceitar e resolver já, pois daqui a uma hora o preço estará ainda mais alto.” Que asco!

Novo coronavírus: um excelente negócio

Creio que a França aprendeu a matéria. Países como a China, infelizmente para seus povos, não devem receber ajuda humanitária. Não têm o menor senso de “bem comum”, jamais colaborarão benevolamente com o bem-estar da humanidade.

Mesmo se o coronavírus atingiu e continua a atingir gravemente a população chinesa, bem além do que revelam as estatísticas oficiais, ele é para os dirigentes chineses um excelente negócio. Pouco importa àqueles que tratam o seu povo como gado, que 100 mil morram ou mais; e que o começo da epidemia em Wuhan fosse objeto de negações enérgicas, e medidas de sufocamento. Os infelizes que alertaram foram obrigados a silenciar, e todo rumor foi reprimido.

A China minimizou a epidemia, demorou para alertar a opinião, mentiu sobre os números, escondeu o número de mortos que foram amplamente subestimados. Beneficiou do amparo sem falha da OMS, cujo presidente está lá justamente por causa do seu apoio. Homem que é um verdadeiro demônio, cúmplice dos piores violadores dos direitos do homem e genocidas, como aponta este artigo de Julio Ariza (em espanhol), que precisa ser traduzido urgentemente e publicado em algum jornal brasileiro.

Quando a verdade veio à tona, o governo chinês posou como “salvador da pátria, herói e grande capaz em face das democracias ocidentais desorganizadas, negligentes e mal preparadas”. Pura propaganda. Até hoje ninguém sabe o que se passa ou passou por lá, sendo que é da China a responsabilidade da eclosão e propagação de mais este vírus, novamente por causa da sujeira e promiscuidade de seus mercados. Mesmo depois do SRAS (2002) et do H1N1 (2009) aquele país ainda não aprendeu a lição.

Os chineses esfregam as mãos

Não que o presidente Xi Jinping tenha querido este vírus. Claro que não. Mas dá para desconfiar que os dirigentes chineses compreenderam rapidamente o enorme benefício que poderiam tirar de uma pandemia em escala planetária: uma Europa com a economia duramente afetada e enfraquecida pelas falências em cascata de empresas, bancos, governos e talvez instituições; os Estados Unidos igualmente em grave recessão, a Índia, os países da África e o Brasil (onde o desastre ainda está por vir), todos incapazes de circunscrever a praga e confinar suas populações … Quantos milhões de mortos, no final, o planeta contará?

Como sempre, serão afetados sobretudo os mais pobres. Está errado dizer que o vírus é igual para todos. Obviamente ele tem uma forte preferência pelos habitantes das favelas e de áreas que já sofrem. Quantas perdas a Índia, África e a América do Sul registrarão? Nos Estados Unidos, são os negros, como sabemos, que hoje detêm o triste recorde de infecção. No Brasil, um presidente psicopata profetiza mais danos à economia do país do que à sua população. Ele e Trump poderão se felicitar por este eugenismo soft. Afinal, o novo Coronavírus os livrará de bocas inúteis e dos esfarrapados.

Até a próxima, que agora é hoje e enquanto isso, os chineses esfregam as mãos… mesmo sem gel. Especialmente quando sonham com as compras que poderão fazer em uma Europa ferida, e em uma África à beira da falência!

Médico da peste em Marselha, em 1720

Eugenismo soft

Estou há tempo demais sem escrever, peço desculpas aos queridos leitores e seguidores, agradeço a sua compreensão. Quando a nossa energia é gasta para viver, entender e dominar uma situação que é totalmente nova, como esta de pandemia e confinamento, às vezes resta pouco dela para a reflexão e a escrita. Mesmo assim, no dia 27 de março, publiquei um texto em rede social onde afirmava que, para o governo brasileiro, o novo coronavírus é muito conveniente. Apesar de tocar na economia, matará – mesmo sem revólver  – todos aqueles que a elite bolsonarista odeia e “pesam” ao país. Seria uma espécie de depuração da espécie brasiliana, “aperfeiçoamento” via Covid-19, eugenismo soft.

Foto: ministro da Saúde Nelson Reich, quero dizer, Teich. 

No dia 24 de março, quando assisti à “live” do psicopata que nos governa, pensei que, de fato, para Hitler (o eugenista duro), só lhe faltava o bigode. As declarações do presidente brasileiro, recebidas na Europa com horror e escárnio, traziam de volta a lembrança do verdadeiro satanás. Não o demônio que, segundo os pobres ignorantes, é responsável pelo vírus. Mas aquele que orienta a extrema-direita global, cujo nome é Steve Bannon.

Quem é que pode garantir que os discursos, escritos pelo chamado “gabinete do ódio”, com o apoio do pornô filósofo de Virgínia, de alguns ministros, responsáveis por entidades públicas e Bannon – além da questão política e econômica – não contenham intenção eugenista por trás? Se não, por que querer circulação livre, abertura de comércios, escolas e o resto, transformando pessoas em armas de destruição em massa?

Punido pela História

Só para informação, na França, a multa para quem desobedece ao confinamento é de 135€ (cerca de R$ 750) ou 200€ (R$ 1.200) em caso de recidiva em duas semanas, mas pode chegar até 3.750€ (R$ 20.900) e 6 meses de prisão para recidivas sucessivas. Além de policiais e gendarmes, outros funcionários podem agora multar as pessoas. Depois de mais de um mês fechados em casa, há cinco dias, começou a cair consideravelmente o número de pessoas hospitalizadas. Era o esperado, e desejado.

Para salvar vidas, o governo francês preferiu adiar as reformas, contrair dívidas, pagar bônus aos heróis da saúde, do nosso dia a dia, ajudar os trabalhadores e todos os necessitados. Segundo o estudo publicado no dia 22 de abril pelos epidemiologistas da prestigiosa “Ecole des hautes Etudes en Santé publique” (EHESP), o confinamento na França evitou pelo menos 62.000 mortes e 105.000 leitos de UTI em apenas um mês. Em seu último pronunciamento, no qual o citou, o primeiro ministro Eduard Philippe declarou: “Não acredito que o nosso país teria suportado isto.”

Sem confinamento, 23% da população francesa teria sido infectada, com um resultado catastrófico: a saturação dos hospitais. Assim, com quase 1 contaminado em cada 4 franceses, 670.000 pacientes teriam precisado de hospitalização e, pelo menos 140.000 casos graves deveriam ter sido custeados pela França. Hoje, a esperança renasce. Já podemos falar em futuro.

Enquanto isso, no Brasil – onde a calamidade está só no começo e mesmo assim os hospitais públicos têm praticamente todos os leitos de UTI ocupados pelo Covid-19, registrando a cada dia centenas de novas mortes – o seu presidente confunde a população, divide o país, fomenta a discórdia e a desordem. Não precisará ser julgado por um Tribunal internacional. Será julgado e punido por seu próprio povo e pela História.

Escolha de Sofia

Ontem, assistindo à posse do schmock³ que é o novo ministro da Saúde⁴ e também revendo o vídeo onde ele reafirma que “na saúde, o dinheiro é limitado e escolhas (como entre um adolescente e um idoso) são inevitáveis”, tive a confirmação da minha hipótese inicial. De fato, parece ser mesmo depuração da espécie brasiliana, “aperfeiçoamento” via Covid-19, eugenismo soft. Lembrando que “Escolha de Sofia” também foi uma invenção nazista.

Até a próxima, que agora é hoje e Nelson Reich, quero dizer, Nelson Teich, para Dr. Arthur Gütt¹, também só falta o bigode!


¹ Dr. Arthur Gütt (1891-1949), foi médico, membro do Comitê do Reich, em 1936, para a “proteção do sangue”, e editor de revistas de biologia sobre raça e sociedade alemã. Tornou-se membro do Lebensborn²  e, em 1939 tornou-se secretário da comissão do Reich para o serviço de Saúde pública.

² Lebensborn: associação patrocinada pelo Estado nazista e apoiado pelas SS (Schutzstaffel, organização paramilitar nazista), cujo objetivo era aumentar a taxa de natalidade das crianças arianas, com base na ideologia nacional-socialista de higiene racial e saúde.

³ Schmock é o insulto supremo em iídiche, muito usado por Woody Allen. Quer dizer três coisas: idiota, vergonhoso e a terceira não posso repetir aqui.

⁴Ex-ministro da saúde. Vinte e oito dias após assumir o cargo, Nelson Reich, quero dizer, Nelson Teich pediu demissão, em meio a divergências com o psicopata que circunstancialmente nos governa.