E o desastre não é só político

Nunca usei estes selos. Guardo-os há quase duas décadas, porque contém a efígie de um herói que sempre admirei. Hoje, no Afeganistão, quando os direitos humanos se encontram em perigo, as mulheres correm risco, a liberdade do povo está ameaçada e o país caminha de modo a se tornar um estado pária, o meu pensamento vai ao comandante Massoud. E à sua visão que, na nossa época, não é mais modelo a povo de país algum – Brasil, França e Estados Unidos ainda menos. 

Elevado ao posto de herói nacional em seu país, após o seu assassinato aos 48 anos, Ahmad Shah Massoud foi o grande líder militar que expulsou os soviéticos. Engenheiro cultíssimo e poliglota, descrito em livro por sua mulher, como pai e marido amoroso e fiel, o “Leão de Panjshir”, como era chamado, amava ler, possuía uma biblioteca com 3.000 livros. Admirava Charles de Gaulle, assim como Victor Hugo e a poesia persa clássica. Jogava futebol e xadrez.

Num país cuja tradição restringe o direito das mulheres, Massoud foi um progressista em seu favor. Jamais transigiu. Ele tinha um só desejo para o Afeganistão: que fosse um país pacífico com boas relações entre todas as etnias e os países vizinhos.

Este não é mais o paradigma daquele país, que já está bem longe do momento em que a democracia desempenhava o seu papel, quando ajudava o povo afegão de estudiosos, místicos e cavalheiros a lançar, se quisessem, as bases de um Estado de Direito.

Não é mais modelo na nossa época, em país algum. Estamos entre a esquerda e a direita na França e no Brasil, democratas e republicanos nos Estados Unidos, ricos e proletários em todos os países, anárquicos, insubmissos, soberanistas, individualistas, adeptos da cultura woke ou do egoísmo nacionalista revisitado. Estamos, enfim, num globo onde quase todos parecem achar normal que a fraternidade não tenha mais o seu lugar, que o respeito do direito seja prerrogativa de um clube de nações ricas e que o Ocidente amuralhado se despeça tranquilamente do resto do planeta.

Até a próxima que agora é hoje, e o desastre no mundo de hoje não é só político, é também intelectual e moral!

Esta alameda para pedestres, localizada no 8º arrondissement de Paris, fica no jardim da Avenida Champs-Élysées. Foi inaugurada no dia 27 de março de 2021.

História contra desordem e destruição

O governo de Jair Bolsonaro, sobretudo sua grande ala ideológica, é negacionista. Falseia e distorce a verdade histórica, como parte de um projeto separatista de desordem e destruição.

Não custa relembrar: o estado de direito é um sistema onde todos, mesmo os mandatários políticos, são submissos à legislação (carta constitucional). A separação dos poderes (Montesquieu), distingue executivo, legislativo e judiciário que se limitam e controlam mutuamente.

O estado de direito se opõe ao uso arbitrário do poder, às monarquias absolutas (tipo “O Estado, sou eu” de Luís XIV), aos totalitarismos e às ditaduras.

O Estado de direito só existe quando a ordem republicana e o respeito às instituições são assegurados.

A ausência deste sistema institucional leva, a história já provou, à decadência social, econômica e cultural.

Em nome de Jesus

Manifestações por causas são legítimas, fundamento da democracia. No entanto, o que vemos agora, e é intolerável, é a manipulação de causas pretensamente democráticas como projeto separatista de desordem e destruição.

O governo brasileiro de extrema-direita desune a nação, usa o ódio e a violência como instrumentos só que, ao contrário de seus iguais da extrema-esquerda… “em nome de Jesus”.

O governo brasileiro de extrema-direita, tanto quanto seus similares da esquerda extrema em outros países, é revisionista no pior sentido: o negacionista. Falseia e distorce a verdade histórica, com o mesmo projeto separatista de desordem e destruição.

História já!

A única coisa que reconcilia os brasileiros é o seu passado, tantas vezes glorioso. O único tesouro de união do nosso país é a sua história com tudo que ela tem de sombrio e diverso.

Precisamos de perspectiva e visão de totalidade. Precisamos de mais conhecimento histórico para estabelecer paralelos, tecer analogias no tempo, e divisar o futuro.

A História do Brasil é maior do que nós. Torna inútil a vicissitude da atualidade política. É a melhor arma contra o fascismo. Tira o sentido de qualquer divisão ideológica. História já!

#EstudemosHistória #HistóriaContraFascismo #ForaGovernoBolsonaro