Em Paris, moda é arte

A retrospectiva dos 70 anos de Christian Dior, “o costureiro do sonho”, inaugurada no início do mês no Museu das Artes Decorativas em Paris (até 7 de Janeiro de 2018), é um enorme sucesso de público. Isto não surpreende. A mostra é um espetáculo deslumbrante de imagens, som e luz.
Videoclipe realizado especialmente para os amigos e leitores deste blog. Recomendo assistir em tela cheia.

Na exposição Christian Dior, o costureiro do sonho, um universo feérico põe em valor mais de 400 vestidos e acessórios de alta-costura, em 3,000 metros quadrados. As suntuosas criações são assinadas pelo mestre e seus sucessores, que reinterpretam os códigos do imaginário de Christian Dior, homem de cultura enciclopédica e referências infinitas, tiradas de um repertório artístico eclético. A sua própria coleção de arte surrealista e metafísica provam isso. Junto aos tesouros de costura, estão objetos de arte de todas as épocas e todos os continentes, que lembram o quanto a visão de Christian Dior foi universal.

Quando nos inspiramos na natureza não podemos nos enganar. (Christian Dior)

O percurso abre-se com a lembrança de sua vida, os “anos loucos” da vanguarda na arte e na vida intelectual parisiense, o aprendizado do desenho de moda e a entrada na alta-costura. Antes de se dirigir à moda, Christian Dior foi diretor de uma galeria de arte, onde conviveu com toda uma geração de artistas como Giacometti, Dalí, Calder, Leonor Fini, Max Jacob, Jean Cocteau e Christian Bérard. Colecionador apaixonado, amador de jardins, arte e fotografia, porcelanas e tecidos orientais, o mestre inspirou-se em todas as fontes para criar as suas roupas.

Até a próxima que agora é hoje e, para uma experiência proustiana, há também o  Museu Christian Dior, em Grandville, com uma exposição (até 24 de setembro) que faz voltar às origens da legenda!

Galeria Pierre Colle, dirigida por Christian Dior nos anos 1950. À direita, escultura de Salvador Dalí, presente na exposição.

 

Henri Cartier-Bresson, a modelo Alla com o vestido “May”, 1953 © Henri Cartier-Bresson / Magnum Photos

 

Claude Monet, O Jardim do artista em Giverny, 1900 – Óleo s/ tela, Paris, Musée d’Orsay © RMN-Grand Palais (musée d’Orsay) / Hervé Lewandowski

 

 

Desenho de Marc Chagall, dedicado a Christian Dior

 

Elizabeth Taylor, vestindo Dior

 

 

14 de Julho: o preço da liberdade

É a 26ª vez que assisto in loco a comemoração da queda da Bastilha e hoje particularmente também do centenário da entrada do Tio Sam na 1ª Guerra. E é a 1ª vez que vejo o Brasil, minha pátria original, nesse estado.

Vendo os presidentes francês e americano lado a lado, tão diferentes e depois de o segundo ter se mostrado ferino com o primeiro, a palavra “magnanimidade” pairou nos meus pensamentos. Apesar de a França acordar a diplomacia que dormia até agora, e de precisar dos Estados Unidos para inúmeras questões, como a luta contra o terrorismo, os conflitos no Oriente médio, Síria e Iraque, a oposição foi contra o convite de Emmanuel Macron a Donald Trump, evidentemente. Assim como se opôs à visita de Vladimir Putin, já que este havia tentado desestabilizar as eleições, aprovando de certa maneira a candidata do FN (Frente Nacional), partido da extrema direita. Mas a oposição hoje, na França, representa a velharia intolerante e dogmática que ainda resta e este país não quer mais. Não têm estatura para saber que não leva a nada recusar o diálogo, e que a história é sempre maior do que qualquer governo.

Precisamos de indivíduos magnânimos e livres que saibam virar a página e esquecer o que deve ser esquecido. Uma pessoa assim é a generosa, aquela que perdoa com facilidade, mostra-se indulgente com o próximo. Alguém que, a despeito de todos os riscos e perigos, age ou pensa desinteressadamente, com vistas a servir os outros, um país ou a encarnar um ideal. Afinal, o mundo é uma passagem. Ele muda, os humanos se transformam e, com tal rapidez que, mesmo as coisas que foram ditas ou as ideias que tivemos na semana passada, hoje podem não valer mais nada.

Mesmo certos jovens brasileiros parecem pequenos velhos

Isto me fez concluir que a grande tragédia (e atraso) da minha primeira pátria hoje se deve, talvez, justamente, à falta deste olhar e desta grandeza. Vemos no Brasil engajamentos congelados em tempos que não existem mais, ideologias de direita e esquerda nas quais apenas os cegos ou os idiotas persistem.

O drama que os brasileiros vivem hoje não está apenas na corrupção e podridão de certas instituições. Ele se deve sobretudo ao espírito de ortodoxia e à mesquinhez ideológica de todos os tipos, fantasiados de uma artificial generosidade, ainda que em direção dos menos favorecidos. Mesmo muitos jovens brasileiros, tanto de esquerda quanto de direita, parecem pequenos velhos imutáveis dentro dessa conformidade absoluta com as normas ou padrões doutrinários.

Os menos favorecidos não carecem de ideologias. Os mais favorecidos, tampouco. Todos necessitam apenas de países fortes. E países fortes precisam apenas de ética, determinação, educação, cultura, eficiência, inteligência e… magnanimidade.

Até a próxima que agora é hoje e viva o 14 de julho!

Rasto deixado pela Patrulha Francesa, na comemoração da festa nacional, dia 14 de julho de 2017. Foto (zoom 10x) tirada de minha janela, às 10h40.

 

Claude Monet, “Festa Nacional na Rua Montorgueil” (1878)

 

 

Missão cumprida no espaço. Com arte e tudo mais!

na França, crianças e adultos apaixonados pela astronáutica estão felizes! E um artista brasileiro provavelmente também. Depois de seis meses na estação espacial internacional, Thomas Pesquet e seu colega russo Oleg Novitski pousaram no Cazaquistão, Ásia Central no mês passado. Foi quase uma ironia que, no dia seguinte à resolução ecocida* de Donald Trump, este astronauta francês voltasse à Terra, depois de também imortalizar o nosso amado planeta em fotos deslumbrantes.

Thomas Pesquet decolou no dia 17 de novembro do ano passado da base russa de Baïkonour a bordo do Soyuz e chegou na estação espacial internacional (ISS) levando 63 experiências que deveria fazer para a Agencia espacial europeia (ESA) e o Centro nacional de estudos espaciais (Cnes). Entre elas, a realização de uma obra de arte. Esta, foi concebida pelo artista brasileiro Eduardo Kac, conhecido pioneiro da chamada bio-arte, gênero que descreve a vertente da arte contemporânea que usa os mananciais oferecidos pela biotecnologia. Quem não lembra de sua experiência dos anos 2000, ele que possui um laboratório de biotecnologia na escola do Art Institute de Chicago, com os coelhos albinos que ficaram fluorescentes graças à proteína desenvolvida por uma medusa?

Não tenho opinião sobre a ideia dos coelhos albinos- nenhum crítico é obrigado a possuir opinião sobre tudo – mas ao ver a Soyuz voltando à Terra, sob o paraquedas, pensei que a performance de poesia espacial que o artista encomendou ao astronauta é talvez tão emocionante em sua singeleza quanto esta cápsula menor do que um fusca dos anos 60, sendo arrastada pelo deserto do Cazaquistão.

O que é esta obra imaginada por Cac e realizada por Pesquet? Simples recortes de folhas de papel que formam a palavra “MOI” (EU, em francês) , com um tubo no meio, feitos para flutuar na estação espacial. Nada mais.

“MOI”. É com esta palavra que a arte foi para o espaço, no meio dos mais sofisticados avanços tecnológicos. Na milionária estação espacial internacional, a visita da humanidade, com toda a sua fragilidade, na ausência total da gravidade. Sinto que Fernando Pessoa teria ficado encantado com esse trabalho chamado “Telescópio interior”. E o poeta Rainer Maria Rilke também. O seu “Aberto” é o “puro, o inesperado que se respira, que se sabe infinito sem a avidez do desejo (…)”. **

Até a próxima que agora é hoje e, pelo jeito, mesmo na órbita terrestre baixa, a arte tem coisas a dizer!

“Telescópio interior”, Eduardo Kac 2016. Projeto para a missão “Proxima”, de Thomas Pesquet.

* Extermínio deliberado de um ecossistema regional ou comunidade
**Em “Elegias de Duíno (Oitava Elegia)

 

NEW EYES

 

 

Movimentos, sim!

(…) O Brasil é um caso notório de subdesenvolvimento partidário (…) Não iremos a lugar algum se as elites dos diversos setores não assumirem suas responsabilidades (…). Frases pescadas no artigo de Bolívar Lamounier, hoje, dia 20, no Estadão, que cita Fernando Gabeira na, também esclarecedora, matéria de ontem, dia 19. O que não está dito, como deveria, no texto do segundo e não foi acatado pelo primeiro (que afirma “não saber o que isso significa”), é que “movimentos” não são destinados a ficar ou “representar”.

Movimentos constituem apenas um primeiro passo. A sua vocação, em segundo tempo, é a sua transformação em partidos, como o “La République En Marche” (LREM), na França. Partido este que não poderia ter nascido senão de um movimento fulgurante, por meio da interação, da “troca” genuína entre seu líder e o povo.

Se, como lembra Gabeira, na década de 1980, no Brasil ou na França, as pessoas se indagavam “se os partidos não eram uma forma de organização historicamente condenada”, isso não teve, como ele deduz erroneamente, nenhuma influência (nem remota) “na forma como o atual presidente, Emmanuel Macron, se elegeu”. Ele se elegeu pois conseguiu impor a imagem de um candidato fora do sistema, portanto sem partido político, mas que assumiu plenamente a necessidade de criar o LREM, logo em seguida, com a função de fazer eleger representantes nas legislativas.

Claro que “a democracia representativa é o único modelo sério e consistente de democracia e os partidos lhe são essenciais”, como diz Lamounier. No entanto, em países que são “casos notórios de subdesenvolvimento partidário” nos quais agora “o processo de decomposição é irreversível”, podemos (e devemos) pensar em movimentos, sim.

Os valores da República francesa mudaram. Antes tínhamos “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Como “Fraternidade” não possui mais o mesmo sentido, hoje – com a atual visão de mundo – a nova divisa será “Liberdade, Igualdade e Benevolência”. Sim, adotar “benevolência” é a grande mudança que deverá orientar as gerações futuras, e não só da França. Movimentos em novos moldes, com ações participativas, à escuta real da população, podem surtir efeitos inimagináveis e terminar em partidos fortes, com formas bem definidas, em qualquer país. A prova aí está!

Até a próxima que agora é hoje, dia de lembrar que, enquanto assunto, arte e cultura só são prioridades em país vitorioso!

Como funcionou o movimento ‘En Marche!’

Foi um trabalho de proximidade. Perseverante, tranquilo, bem estudado, respeitoso do “outro”, mesmo que suas ideias fossem divergentes. Houve até mesmo programas de formação para os voluntários, que os ensinava como encarar, sem agressividade ou violência, as objeções e as propostas discordantes. Alta civilidade! Em seus meetings, Macron pediu que não se vaiasse os adversários. Sabe-se que ética e probidade começam com boa educação. Não foi o que testemunhamos até agora em nosso país.

Tudo começou com o “porta a porta”, um procedimento inédito. Foram recolhidas por voluntários, vestidos com as camisetas do movimento, 100 mil conversas sobre o cotidiano dos franceses. Enquanto isso, 400 experts em todos campos formaram grupos de trabalho. Fez-se um diagnóstico das problemáticas, iniciativas e energias, a partir da chamada “Grande Marcha” e das reflexões dos grupos de experts. Formaram-se 3 mil e 400 comitês locais, ateliês para a discussão dos temas e planos de transformação, a partir das primeiras constatações e propostas concretas.

Simultaneamente desenvolveu-se o trabalho por Internet: houve a fundação (online) do movimento e a formação de todas as redes e plataformas disponíveis, com pormenorização didática do programa, sistema simplificado de adesão, mensagens individualizadas, vídeos instantâneos, programação de eventos, “caminhadas” de conscientização do público em ruas e espaços públicos. As visitas de “porta a porta” continuaram até as eleições. Toda a informação e o resultado dos trabalhos foi convergindo à equipe próxima de Emmanuel Macron que, finalmente, pôde propor um plano definitivo de transformação do país, ou seja, um plano que partiu de baixo para cima, da forma mais democrática possível.

 

Como ‘pôr ordem’ na cultura?

O perigoso programa cultural da candidata Marine Le Pen, que quer pôr “ordem na Cultura”, foi revelado há pouco. Segundo ele, que é a imagem mesma do fascismo, “todos os criadores devem se submeter a uma ‘arte oficial’, permitida pelo Estado”. Já faz um tempo que os eleitos da Frente Nacional, partido francês da extrema-direita que concorre às eleições presidenciais no próximo domingo, dia 7, excluem certos livros das bibliotecas públicas, vandalizam obras de arte, negam subvenções às associações culturais que julgam “politizadas ou comunitárias” e também àquelas que acolhem migrantes, rejeitam a arte contemporânea e, entre várias outras coisas, expulsam jornalistas indesejados dos meetings do seu partido.

 

Olivier de Sagazan, artista performático que, no dia 29 de abril, permaneceu horas “latindo” como protesto na praça da Défense, em Paris.

Como não desenvolver temas políticos dentro da categoria “Cultura”, se um e outro são indissolúveis? Esta semana, mais de mil personalidades do mundo da cultura se reuniram na Filarmônica de Paris e mais de uma centena assinou um manifesto contra Marine Le Pen e a extrema direita. Archie Shepp, Renaud, Jeanne Moreau, Annette Messager, Valeria Bruni Tedeschi, Christian Boltanski, Cécile de France, Zazie, Karin Viard, Zabou Breitman, Laura Smet, Alexandre Chemetoff, Georges Didi-Huberman, Romane Bohringer, Catherine Frot, entre outros, denunciaram o caráter racista, antissemita, xenófobo e nacionalista de um programa cultural que defende uma identidade imutável, voltada para si mesma, e uma arte que deve servir a uma ideologia de Estado.

O vandalismo já é a prática dos políticos eleitos que representam o FN. O prefeito de Hayange pintou em azul a fonte do escultor Alain Mila porque a cor original não o agradava e ele não conseguia chamá-la de “arte”. Maréchal-Le Pen, a sobrinha de Marine Le Pen, recusa-se a subvencionar arte contemporânea. O prefeito de Luc-en-Provence tirou da programação o filme de Lucas Belvaux, “Chez nous”, simplesmente porque “o incomoda”. O diretor da Frente Nacional, candidato à prefeitura de Reims, fala abertamente sobre obras importantes, para ele “pseudo-obras que poderiam ser feitas por crianças ou animais com um pincel no rabo”. A senhora Neveux, candidata à prefeitura de Roche-sur-Yon denuncia “criadores decadentes”, à maneira dos nazistas e do que eles chamavam de “arte degenerada”, quando ela se refere a nomes reconhecidos da arte moderna. E o senhor Gollnisch, ex-vice-presidente do FN, designa “todos” os artistas contemporâneos como “gozadores grotescos que tiram dinheiro dos franceses”, dizendo que gostaria que cedessem o lugar aos que “ele julga autênticos, talentosos e modernos”.

Os eleitos do Front National excluem certos livros das bibliotecas públicas, tiram as subvenções de associações culturais julgadas “politizadas ou comunitárias” e também aquelas que acolhem migrantes, expulsam jornalistas indesejados dos meetings do seu partido. Exprimem desprezo por cineastas, autores literários, artistas plásticos, intelectuais, universitários e jornalistas que não entendem ou com os quais não concordam.

Google de Estado

Marine Le Pen no meeting de Saint-Raphael, dia 15 de março. No cartaz: “Recolocar a França em ordem, em 5 anos”. REUTERS/Jean-Paul Pelissier

E não é tudo. Na resposta feita por um representante do FN a uma organização do setor cultural, apresentou-se um projeto estruturado e metódico: a criação de um motor de procura nacional, uma espécie de “Google de Estado”(sic), cujo uso seria obrigatório, substituindo-se ao Google, e cujos critérios de procura, hierarquizados e ordenados, seriam decididos pelo “ministério da cultura”.

Cereja sobre o bolo, Marine Le Pen quer instituir um “cartão profissional” para os artistas de todas as categorias. Ora, foi o regime de Vichy que criou, pela lei de 2 de outubro de 1940, um “cartão de identidade” para os profissionais do cinema, documento que devia ser renovado a cada três meses.

No campo audiovisual, a “ordem” de Marine Le Pen compreende uma sociedade de produção nacional financiada por doações públicas. O plano é criar um orçamento anual fixado pelo Estado a partir da “taxa cultural” que seria destinada apenas aos artistas com o tal do “cartão de identidade profissional”. O ministério da cultura possuiria uma “direção da cultura francesa no Exterior”!

Se se quer recriar uma “arte oficial”, deixar o Estado escolher os seus artistas, controlar a criação cultural e amordaçar a imprensa, a opção de voto para domingo está clara.

A cultura é a condição de acesso a um pensamento livre e crítico, fora do qual não existe real cidadania. É por isso que a liberdade absoluta de criação e expressão deve ser assegurada a todos os criadores, sem exceção. Até a próxima que agora é hoje e tomara possamos preservar a irreverência e a subversão da arte, condição e garantia de liberdade e democracia!

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Quem fez (ou faz) galopar o Frankenstein tupiniquim?

O lixo e a política

 

Quem fez (ou faz) galopar o Frankenstein tupiniquim?

Discute-se muito neste momento que o socialista François Mitterrand (1916-1996), presidente da França de 1981 a 1995, foi quem armou a estratégia deliberada de fortalecer a extrema-direita para desestabilizar a direita parlamentar. O galope da extrema-direita no Brasil seria igualmente fruto de “estratégia”?

 

Eleições 2017: Marine Le Pen e Emmanuel Macron no debate de ontem, 3 de maio, antes do segundo turno. Crédito: Eric FEFERBERG / POOL / AFP

 

Não que o socialista Mitterrand admitisse ter feito isso por “maquiavelismo”, mas porque acreditava que o Front National não alcançaria nunca nenhuma importância. Erro dele, de qualquer maneira. O fato é que hoje na França, graças a isto e a outros fatores, a direita explodiu (ou implodiu), mas o socialismo também. Estão fora do páreo, pelo menos até as eleições legislativas. A direita e os socialistas são os pais desse Frankenstein galopante da extrema-direita (primo da extrema-esquerda) que é fruto e parasita do sistema político francês. E que concorre mais uma vez, porém de forma jamais vista, à presidência da França.

Até a próxima, que agora é hoje e já que é também por aproximações e paralelos que conhecemos melhor a nossa própria história, da qual a arte e a cultura também dependem, pergunto: quem é responsável pelo galope do Moderno Prometeu tupiniquim, com ou sem partido, nos últimos 6 anos?

 

Frankenstein tupiniquim

 

Nota – Aos interessados francófonos que queiram aprofundar os seus conhecimentos sobre a crise da Quinta República Francesa e a reconstrução da paisagem política na França, a última emissão do programa “Répliques” do filósofo Alain Finkielkraut, com a participação do economista Jean-Claude Casanova (que fundou a revista “Commentaire” com Raymond Aron), e o filósofo e professor de ciência política Philippe Raynaud.

Nota 2 – Aos que apreciam “gavetinhas” e pensam que este blog está na “categoria errada”, aviso que arte e CULTURA são parte indissolúvel da história e portanto da política. Aliás, o programa (político) “Répliques” do filósofo Alain Finkielkraut, cujo link publico acima, também pertence à categoria CULTURA, e se ouve na RÁDIO FRANCE CULTURE.

 

Leia também ‘O lixo e a política’

 

 

 

O lixo e a política

Enquanto o “civilizado e polido” prefeito de São Paulo joga flores malcheirosas na rua em vez procurar uma lata de lixo, a candidata da extrema-direita à presidência da França joga mulheres na lata de lixo em vez de colocá-las na rua. O que é, onde está e para que serve uma lata de lixo, quando estamos na rua do progresso?
FN: um partido que não tem como ser moralmente legitimado.

Sabemos que, enquanto deputada da união europeia, Marine Le Pen – que é mulher e se diz “feminista” – votou contra (ou se absteve de votar a favor de) 59 textos que favorecem as mulheres na Europa. Pronunciou-se 17 vezes contra, 3 a favor, absteve-se 7 vezes e para 32 propostas ela esteve ausente, sendo que é extremamente bem paga para fazer este trabalho.

O que esta grosseira adepta do populismo e da demagogia alegou ontem em entrevista na televisão, é que alguns projetos continham alusões à migração, por exemplo, “o ensino da língua francesa a mulheres migrantes”.

Não estou apenas chocada com a falta de humanismo, a crueldade da candidata, mas com a aquiescência de pelo menos 40% da população de um país e sobretudo com a banalização de um partido que, em essência, por suas ideias e valores, não tem como ser moralmente legitimado, sobretudo dentro de um regime republicano que se funda no livre-arbítrio e no respeito pelos interesses, potencialidades e faculdades do ser humano.

 

A Cultura contra o Front National

A Cultura contra Le Pen

Logo mais estaremos reunidos – artistas plásticos, críticos de arte, jornalistas culturais, historiadores, professores universitários, músicos, escritores, etc. – na Cité de la musique (Filarmônica de Paris). Todos contra o Front National (Frente Nacional).

Embora a situação seja outra, sentimos na pele o que sentiu boa parte dos americanos esclarecidos antes da eleição de Trump, presidente com o qual a reacionária Marine Le Pen simpatiza, assim como com Putin e neo-fascistas como o ditador da Hungria Viktor Orban e a primeiro-ministro da Polônia Beata Szydło.

Se a representante do Front National, partido neo-fascista, passar com o seu projeto social e econômico obsceno, com as medidas restritivas, a saída (agora absurdamente “parcial”) do Euro e o Frexit – guiada pelo ódio, racismo, xenofobia e nacionalismo (comparável ao dos nazistas em 1932), a Europa inteira entrará num período negro.

Em seus discursos populistas e demagógicos, esta rica “herdeira”, antiga péssima aluna (é bom lembrar), vulgar festeira nascida em berço de ouro dentro de um palácio – fumadora, bebedora, velha frequentadora de discotecas – diz “pertencer ao povo”. Compreende-se que é justamente a parte ignorante e desmemoriada da França que votará nela.

De minha parte, sugiro que o leitor brasileiro faça uma pesquisa Google sobre a mãe da candidata, Pierrette Le Pen, que posou nua para a revista Playboy nos anos 1980 e ficou conhecida pelos seus “excessos” quando ainda era casada com o então presidente do partido da extrema-direita francesa. Sabemos quem é o pai, devemos igualmente saber quem é a mãe, pois, como é do conhecimento de todos, “as maçãs nunca caem longe da árvore”.

É este o perfil de um presidente da França? Até a próxima, que agora é hoje e jamais tinha pensado o quanto é fundamental sabermos o que é, onde está e para o que serve uma lata de lixo!

 

 

Morre Vito Acconci, o artista pioneiro do corpo

O desaparecimento, aos 77 anos, do poeta, artista plástico, arquiteto e designer Vito Acconci, sexta-feira dia 28, é uma enorme perda. Este pioneiro da performance, mais conhecido por usar o corpo como objeto da experiência, exerceu grande ascendência sobre várias gerações de artistas, desde Ana Mendieta até Christian Marclay, Mike Kelley e Paul McCarthy. Foi o criador proteiforme e, pode-se dizer, tipicamente americano, de uma obra que sempre discutiu as relações entre o público e o privado.
Performance de Vito Acconci no Castello di Rivoli, o museu de arte contemporânea de Turim.

Acconci dedicou-se primeiro à poesia concreta, à fotografia e às performances para, em seguida, consagrar-se ao vídeo onde colocou em cena a própria figura. Estes trabalhos documentam ações induzidas e dirigidas por palavras que ele pronuncia, descrevendo os movimentos de seu corpo, seu estado físico e pensamentos, ou ainda prescrevendo a outra pessoa, deslocamentos e atitudes que o corpo dela deve seguir.

Assistir a Acconci não é fácil nem agradável, porém faz refletir. Seus vídeos, que tratam do poder do discurso, de certas anomalias humanas através da sexualidade, das relações intersubjetivas ou, ao contrário, da interiorização humana, são igualmente uma “chave” para a compreensão de uma certa arte americana dos anos 1970. Uma arte que se interessava pelo corpo anatômico, mas também pelo “corpo social”, ambos enquanto totalidades indissolúveis.

Nascido em 1940 no Bronx (Nova York), em uma família católica italiana, Vito Acconci terminou seus estudos de literatura na universidade de Iowa e foi um apaixonado por Flaubert, Faulkner et Gertrude Stein. Abalado com a revelação que sentiu ao descobrir o minimalismo, realizou os seus primeiros filmes e vídeos em 1969 e passou a fazer parte daquela juventude que queria transformar radicalmente a sociedade.

É por este motivo que as suas performances e instalações colocam-se sob a égide do radicalismo político, por meio de ações chocantes (como a masturbação) ou humorísticas como quando ele queimava os pelos do peito. Também é por isso que usou vários tipos de estratégias de manipulação, dominação e traição. Nas cenas autistas com mímicas, palavras de angústia, medo e loucura, ele revela fantasmas sexuais e segredos biográficos.

A perversão em Acconci é pura crítica

Incomodando e transformando o espectador em voyeur, o artista trouxe à luz a questão do “tabu” e a dialética entre o particular (o corpo íntimo) e o geral (o gregário). A perversão em Acconci é pura crítica. Na verdade, o que ele pretendia era apresentar os estados patológicos engendrados pelo sistema americano, individualista e pragmático ao extremo. O conteúdo violento do seu trabalho é fundamental para estabelecer a comunicação entre a obra e o espectador, o sujeito e o objeto, a arte e a vida.

Dos anos 1980 em diante, começou a dedicar-se à reflexão do espaço publico, fabricando objetos, instalações, mobiliário urbano, maquetes de projetos arquitetônicos, alguns dos quais foram até mesmo realizados na França (como o do subúrbio de Dijon, em 1998). O Acconci Studio foi uma célula de trabalho que reunia arquitetos e artistas e realizou obras conhecidas como a United Bamboo em Tóquio e a livraria Armory Show em Nova York.

O contexto americano foi capaz de produzir a sua própria contracultura, de onde, em última instância, fosse qual fosse o seu projeto social, o indivíduo sempre saía vencedor. Até a próxima, que agora é hoje e Vito Acconci não fugiu à regra!

 

 

Feiras e mercado de arte: um escândalo permanente

“Confundir ‘feira de arte’ com ‘cultura’ é o mesmo que não distinguir ‘peixaria’ de ‘museu oceanográfico’.” Ao ler as notícias e ver as imagens da 13ª edição da SP-Arte, imediatamente pensei neste meu aforismo antigo, usado há algum tempo em um livro sobre o “valor da arte”, na entrevista à “rainha (agora internacional) do mercado” que, naturalmente, não gostou nada do dito. Enquanto eu ainda pensava em colocá-lo como incipit de um ensaio crítico sobre o assunto, a questão já foi ultrapassada em maleficência. Na verdade, o problema vai bem mais longe do que saber se feiras de arte são ou não são cultura.
Revolver_de_Verlaine
Venda em leilão do revolver de Verlaine, com o qual ele tentou matar Arthur Rimbaud, em julho de 1873. Com preço inicial de 50 000 euros, a arma foi arrematada por 434 500 euros. Christie’s, Paris (2016) – Foto : Aurélien Laudy/PHOTOPQR/L’UNION DE REIMS/MAXPPP

Sobre “reis” e “rainhas” do mercado da arte nem sempre há coisas muito probas e edificantes a relatar, de tal maneira que algumas já se encontram deliciosamente em minhas memórias, tanto para deixar fluir o excesso de bile negra que causa mau humor, quanto para divertir o leitor. É normal que marchands não gostem dos meus ditos. Gostarão menos ainda quando acabarem de ler este artigo.

Também é natural que artistas e profissionais, dependentes do mercado da arte, possam não apreciar a alusão à “peixaria”. No entanto, se para eles “o mercado é necessário”, “cumpre o seu papel”, “é honesto ou desonesto” – nada disso é a minha questão. O que me interessa é a arte, o artista, o público e o efeito que o mercado da arte pode ter sobre eles, em termos de manipulação que reduz as obras a simples produtos, imprimindo-lhes um valor artificial, diverso de sua qualidade estética real. Eis, na minha opinião, uma das partes principais do escândalo permanente do mercado da arte em nossa época.

Poucos sabem, por exemplo, que em certas escolas de arte há uma corrida aos projetos mais rentáveis, para os quais a razão estética e o senso artístico tornaram-se desnecessários. Colecionadores e galeristas percorrem estas escolas, não raro oferecendo aos estudantes somas desmesuradas. O exagero é a regra. Encoraja-se o tipo de criação que vai agradar e alimentar a atração pelas “provocações da arte contemporânea”. Como cada exposição em galeria deve ser financeiramente autossuficiente, os jovens precisam “produzir” trabalhos “vendáveis”, seguindo a tendência do momento. Assim, privilegiam as falsas transgressões afim de ser percebidos e poder rapidamente entrar na arena.

É natural que tenhamos caído ao nível das latrinas

Sou do tempo em que o conjunto de negócios da arte era regulado por um jogo sutil de conhecedores, de um lado galeristas de alto nível, de outro, verdadeiros experts. Com a mundialização, a partir dos anos 1990, talvez, a coisa mudou gradualmente, e de tal forma, que hoje aquele sistema transformou-se num mecanismo de alta especulação financeira entre algumas galerias, casas de leilão e um pequeno público de “novos ricos” em todo o mundo, Brasil inclusive. “Novos ricos” dos quais alguns nem mesmo sabem o que compram ou – como confessou Bidzina Ivanishvili, o oligarca georgiano que gasta centenas de milhões de dólares em sua coleção – “não são grandes fãs de artes plásticas”. Em 2005 havia 70 feiras de arte no mundo. Hoje são 190. Em Nova York, no início dos anos 1970, contava-se pouco menos de 80 galerias. Hoje, o seu número oscila entre 900 e 1000.

Como escreveu Jean Clair – pseudônimo de Gérard Régnier, curador e historiador, hoje membro da Academia francesa – “do culto à cultura, da cultura ao cultural, do cultural ao culto do dinheiro, é natural que tenhamos caído ao nível das latrinas”. “Que sentido tem isto?” pergunta ele, “porque o ‘socius’* precisa deste poder ‘artístico’, quando a sua categoria não é mais assumida nem na qualidade do religioso nem na ordem do político? Seria a desordem escatológica, que se espalha e cola, que pode assegurar a coesão que lhe falta?”

Estou de acordo com Régnier. O ouro, a especulação, as feiras de arte, os depósitos discretos do tipo Schaulager na Basileia, os antigos museus transformados em vistosos showrooms, ou as galerias transformadas em museus, os leilões, enfim, com vendas colossais, obscenas… Subprimes, titularização, esquema em pirâmide de Ponzi…  Em pouco mais de duas décadas se tomou consciência de que os objetos sem valor eram suscetíveis não somente de serem postos à venda, mas tornarem-se igualmente objetos de troca, próprios à circulação e à especulação financeira mais extravagante. Os procedimentos que permitem promover e vender uma obra dita de “arte contemporânea”, podem ser comparados aos que, no mercado de valores mobiliários e outros, possibilitam vender qualquer coisa e muitas vezes, até mesmo, nada.

Damien Hirst na Bienal de Veneza não surpreende

Tomemos como exemplo, Damien Hirst (1965) que estará agora em duas megaexposições na 53a Bienal de Veneza, com 200 trabalhos inéditos no Palazzo Grassi e na Punta della Dogana de Pinault, o colecionador milionário. Não surpreende. Dinheiro faz dinheiro.

Ora, suponhamos que “objetos de curiosidade” possuam um autor do tipo Damien Hirst e que estes objetos precisem ser “lançados” da mesma forma como os de Hirst o foram. Que processo permitirá ao artista, entrar no mercado? Como, a partir de um valor não apurado artisticamente (caso de Hirst), lhes dar um preço e vendê-los por milhões de dólares individualmente ou, se possível, por lote?

Questão de crédito: quem acreditará neles a ponto de investir? Fundos de cobertura (Hedge Fund) e titularizações deram o exemplo do que a manipulação financeira é capaz de conseguir a partir do nada. Primeiro, afoga-se o crédito duvidoso (o “artista tipo Hirst”) em um lote de créditos um pouco mais seguros. Por exemplo, expõe-se uma obra “curiosa” deste autor ao lado de Sol LeWitt, Beuys ou Frank Stella – que têm trabalhos já conhecidos e com “classificação de crédito” (“notação financeira de risco”) AAA ou BBB – no mercado de valores, mais seguros do que os chamados “títulos tóxicos”.

Logo, faz-se com que entrem no circuito das raras e famosas galerias particulares, perfeitamente advertidas, e que podem compartilhar os riscos. Os acionários, que formam o núcleo de “iniciados”, financiam o projeto e também estão lá para “esclarecer” os especuladores dos leilões, feiras de arte, ou os simples amadores, aqueles que tomam o risco. Os “iniciados” são como as “agências de notação financeira” (ou “agências de notação de risco”) ou seja, a sua função é guiar os investidores, porém, na verdade, manipulando os juros e favorecendo a especulação. É o que se chama de insider trading.

Não é o valor da obra que é levado em conta, e sim o último preço com que foi vendida

Promete-se, por exemplo, um rendimento com juros muito elevados, 20% a 40% na revenda, desde que esta se faça em curto prazo, seis meses no máximo – ao contrário do que ocorria no mercado da arte antigamente, que era fundado no longo prazo. Se não houver comprador, a galeria pode até mesmo se comprometer a recomprar a obra do “artista tipo Hirst” pelo preço inicial, aumentada de pequenos juros. Encontra-se, enfim, uma instituição pública – um grande museu de preferência – que faça uma exposição dele. Os custos da mostra, transporte, seguros, catálogo, despesas de comunicação e relações públicas (coquetel, jantar de inauguração, etc.) serão discretamente cobertos pela galeria ou pelo consórcio que o promovem.

Mas, principalmente, pedra angular da operação, o sistema institucional – por meio deste engenhoso estratagema – parecerá garantir a conservação e o valor das propostas vindas do mercado privado, ou seja, duas ou três galerias, um leiloeiro e alguns especuladores.

Evidentemente, não é o valor da obra que é levado em conta, e sim o último preço com que foi vendida. Claro, como no esquema de Ponzi, o perdedor será aquele que não conseguir vender rapidamente a obra: o último perde tudo.

Um imbróglio financeiro mafioso internacional

Reduzir as obras a simples produtos, imprimindo-lhes um valor artificial, diverso de sua qualidade estética real já seria um delito em si. No entanto, se pedíssemos enquetes judiciárias junto a certas instituições, feiras de arte, museus e outras, cruzando fichas de compras, históricos, agentes e galeristas dos artistas comprados, membros das comissões técnicas e conselhos de compra, se se conseguisse desembaraçar esse imbróglio financeiro mafioso internacional, a verdadeira função e vocação destas instituições talvez pudesse ser salva um dia.

Por razões que não interessam aqui, visitei feiras em Colônia, na Basileia e em Paris, a FIAC. Vi com os meus próprios olhos, a cada vez, quando, não simples conservadores – diretores mesmo, no mais alto cargo – flertavam e traficavam com galeristas, aceitando comissões para apresentar certas obras (nem sempre boas e/ou representativas) aos “conselhos” ou “comissões de aquisição” de seus museus. Ninguém é ingênuo ou purista quando acredita que ética e estética são uma coisa só. Porque desejar moralização para a vida política e fechar os olhos quando se trata da vida artística?

Até a próxima, que agora é hoje e como diz Raymonde Moulin, pessoa maravilhosa que tive o prazer de conhecer nos anos 1990, especialista das relações entre arte e economia, fundadora do centro de sociologia da arte no CNRS, em Paris: “O mercado da arte é uma coisa à parte. O que é delito em outros lugares, aqui é valorizado.” “Por exemplo”, afirma ela, “quanto mais se é iniciado, mais se é reconhecido e ouvido. Em outros lugares, ‘ser iniciado’ é um delito! E eu me permito acrescentar que, na Bolsa, com insider trading, você vai direto à prisão!”

[*] “Socius”, segundo a psicologia social,  é o componente social do comportamento e da vida mental dos seres vivos.

Esperando ‘Miss Liberty’, a homenagem às vítimas do terrorismo

28A explosão no metrô de São Petersburgo, ocorrida ontem, conturba mais uma vez a nossa alma. Em várias cidades francesas, as bandeiras encontram-se a meio-mastro e, em Paris, aguarda-se a escultura que será colocada este ano, em frente ao Palácio de Tóquio, em homenagem às vidas inocentes ceifadas pelos atentados terroristas. Em novembro do ano passado, inspirado pela Estátua da Liberdade, presente da França aos Estados Unidos, o artista contemporâneo americano Jeff Koons, doou um monumental buquê de tulipas (‘Miss Liberty’) ao povo francês.
Jeff Koons, "Buquê de Tulipas"
Miss Liberty de Jeff Koons, em frente ao Palácio de Tóquio, em Paris. Uma escultura que será, segundo ele, “símbolo de que a vida continua”. Crédito: Jeff Koons, via Noirmont art production

Esta é uma das maiores esculturas realizadas pelo artista. Com 10,4 metros de altura, 8,4 metros de largura e 10,2 metros de profundidade – feita inteiramente em bronze, aço inoxidável e alumínio -, Miss Liberty, atualmente em construção na Alemanha, será instalada ainda este ano, permanentemente, na praça em frente ao Museu de Arte Moderna de Paris e ao Palácio de Tóquio. O seu custo, 3 milhões de euros, está sendo financiado por doações privadas dos Estados Unidos e da França.

“Espero que este trabalho mude a vida das pessoas”, disse Koons. “Espero que ‘Miss Liberty’ possa comunicar um sentido de futuro, otimismo, a alegria de oferecer para encontrar algo maior fora de nós mesmos”. Ele disse também que “espera que as flores dêem às famílias das vítimas, força para continuar”, acrescentando que a escultura foi inspirada nas pinturas florais de Monet, Picasso e Fragonard.

Até a próxima que agora é hoje, e a mensagem otimista de Miss Liberty representa também o compartilhamento, entre a França e os Estados Unidos, da mesma crença nos princípios universais da liberdade!

Jeff Koons, "Buquê de Tulipas"
Jeff Koons, maquete do buquê de tulipas (Miss Liberty) que se inspira na Estátua da Liberdade, um presente da França aos Estados Unidos. Crédito: Jeff Koons, via Noirmont art production

 

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